O Engenho Joca Estrela foi fundado em 1958. São 65 anos de história, tradição e trabalho. O produtor rural e pecuarista, Antônio Estrêla Dantas (Antônio de Joca) e o comerciante José Estrêla Dantas (Zé de Joca), reativaram em 2017 o engenho de cana-de-açúcar de propriedade do seu pai João José Estrela (Joca Estrela) “in memoriam”, localizado na Comunidade de Cosmo de Brito no município de Bernardino Batista, no Alto Sertão paraibano.
A mão de obra do Engenho é formada pelo mestre de engenho, Antônio; o bagaceiro, Edinaldo; os caldeireiros João Bila e Zé Matias; o cacheador Vanildo; cambiteiros, moendeiros, os cortadores de cana, foguista e outros auxiliares. Os cortes e as amarrações dos feixes da cana-de-açúcar no canavial são transportados para o engenho um dia antes da moagem. O canavial é uma herança passadas de pais para filhos, e para não deixar o canavial acabar, os rapadureiros renovam as touceiras. A cobertura do evento foi realizada pelo radialista Chico Cobra-D'água, da TVChicoCobra D'água.
No Brasil, os engenhos de rapadura existem desde o século XVII, ou talvez antes. Há registro da fabricação de rapadura, em 1633, na região do Cariri, Ceará. A cana usada para fabricar a rapadura no Brasil, até o século XIX, era a crioula. Surgiu depois a caiana, mais resistente a pragas, aparecendo, posteriormente, diversas variedades, como a cana rosa, fita, bambu, carangola, cabocla, preta, entre outras.
Segundo Câmara Cascudo, a rapadura foi o doce das crianças pobres, dos homens simples, regalo para escravos,cangaceiros, vaqueiros e soldados. A rapadura está presente na mesa do sertanejo. É o adoçante do café, do leite, da coalhada. É consumida com farinha, mungunzá, carne de sol, paçoca, cuscuz, milho cozido. Não há casa sertaneja sem farinha e rapadura. A rapadura, do ponto de vista econômico, é uma das alternativas para resgatar a economia da região. Os engenhos foram esquecidos. Os que mantiveram a atividade foi apenas para não quebrar a tradição.
O engenho de rapadura de cana-de-açúcar Joca Estrela em Bernardino Batista possui estrutura simples, de um alto valor cultural e ambiental, por sua forma de manejo recebida de gerações passadas que respeitam os ciclos da natureza. A família de Joca Tomaz, proprietária do engenho, se esforça para manter viva a tradição da moagem.
“O preço da carga da nossa rapadura custa R$ 500,00, a unidade de rapadura custa R$ 5,00 e a unidade do alfenim custa R$ 10,00. Quem quiser adquirir rapaduras ligar para o WhatsApp (83) 9690-5351”, informa Antônio de Joca Tomaz.
“Dia de moagem é dia de rever essas coisas. A moagem está em nossa genética. A gente se criou vendo esse trabalho. É dia de festa na Comunidade de Cosmo de Brito. Não vamos deixar a tradição de meu avô Zé Tomaz, do meu pai Joca Estrela morrer. Continuaremos até o dia que Deus quiser", assegura proprietário do engenho, Antônio de Joca.
Abdias Duque de Abrantes
Advogado, jornalista, servidor público, graduado em Jornalismo e Direito pela UFPB e pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Potiguar (UnP), que integra a Laureate International Universities.
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